domingo, 22 de dezembro de 2019


TEMA III

OS SITEMAS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PARA A EUROPA DO CONHECIMENTO

Viver é aprender sempre, independentemente do local onde se realiza a aprendizagem, na escola ou nos caminhos da vida. Não deveríamos pôr o saber de lado, nem voltar as costas à vontade de conhecer, que todos temos. Mas para isso é preciso ter coragem de mudar.
O Conselho Nacional de Educação (1996) define o conceito de Aprendizagem ao longo da vida como,
 "(...) englobando o desenvolvimento individual e social do ser humano sob todas as formas e em todos os contextos, tanto formais - na escola e nos estabelecimentos de ensino profissional, terciário e para adultos - como não formais - em casa, no trabalho e na comunidade. Trate-se de uma abordagem sistémica, centrada nos níveis de conhecimento e competências a adquirir por cada um, independentemente da sua idade".
Devemos, portanto, dar importância ao conceito: Aprender ao Longo da Vida… A educação não se resume apenas pelos primeiros anos de vida. A educação ao longo da vida é uma realidade, não apenas confinada à educação formal, mas também presente na educação não-formal e informal. A ideia de que todos os contextos da vida adulta, pessoal, social e profissional contribuem para desenvolvimento integral do ser humano, é muito importante.
Atualmente, assistimos a mudanças muito rápidas em vários sectores, principalmente ao nível das tecnologias, fazendo com que os indivíduos se deparem com uma grande diversidade de novos problemas e de novas complexidades que exigem, a jovens e adultos, novos saberes e novas competências para se adaptarem constantemente a este mundo. As exigências que a sociedade nos impõe devem ser vistas como desafiantes e motivadoras, para que possamos cultivar o nosso espírito crítico e a nossa capacidade de análise reflexiva de forma permanente.
Vivemos num mundo onde as pessoas devem ter habilidades para entender, interpretar e processar informações diferentes. Por isso, é essencial reconhecer e valorizar todas as formas de aprendizagem. A Aprendizagem ao Longo da Vida beneficia indivíduos, comunidades e a economia do país. Fornece aos indivíduos o conhecimento, habilidades, valores, atitudes e compreensão que eles precisam na vida como cidadãos e trabalhadores, para tornar as comunidades mais produtivas e inovadoras, tendo em conta que a economia e a sociedade baseiam-se no conhecimento e numa atualização constante no local de trabalho. Assim, as pessoas que realizam a aprendizagem ao longo da vida, desenvolvem novas habilidades e preparam-se para novos desafios, lidando melhor com as exigências de mudanças no local de trabalho.
A sociedade de aprendizagem é a visão de uma sociedade onde existem oportunidades reconhecidas de aprendizagem para todas as pessoas, onde quer que estejam e por mais velhas que sejam (Green, A., 2002). O ritmo crescente das mudanças tecnológicas na economia do conhecimento, significa que precisamos de uma força de trabalho flexível e adaptável que esteja pronta para requalificar e reconverter para acompanhar as necessidades de competências da economia. A aprendizagem ao longo da vida permite que as pessoas participem activamente na sociedade (Dunn, E., 2003).
A aprendizagem ao longo da vida consiste em proporcionar segundas oportunidades para actualizar as competências básicas e também oferecer oportunidades de aprendizagem a níveis mais avançados (Comissão Europeia, 2007).
A aprendizagem ao longo da vida significa que, se uma pessoa tem vontade de aprender, ela poderá fazê-lo, independentemente de onde e quando isso ocorre. Para tal, é necessário que a pessoa tenha vontade de aprender, que existam ambientes de aprendizagens (centros, escolas, empresas, etc.) adequadamente organizados e que haja pessoas que possam auxiliar o aprendiz no processo de aprender (agentes de aprendizagem), para além de que esta aprendizagem deve ir ao encontro das necessidades do mercado de trabalho.
A aprendizagem que acontece na escola e durante a vida profissional deveria ser uma extensão da aprendizagem que se dá na infância ou na terceira idade. As pessoas deveriam ter meios para continuar a aprender, interagindo com o mundo e recebendo ajuda dos agentes de aprendizagem.
No século XXI, todos nós precisamos de ser aprendizes ao longo da vida. O nosso mundo está a mudar à nossa volta a um ritmo tão frenético que, se não continuarmos a crescer e a desenvolver, em breve seremos deixados para trás.


COMPETÊNCIAS


O quadro de referância definido pelo Conselho e o Parlamento europeu no final de 2006 estabelece oito competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida, competências cruciais para todos os cidadãos que necessitam para a sua realização pessoal, a inclusão social, desenvolvimento e emprego na sociedade no conhecimento:

- Comunicação na língua materna;
- Comunicação em línguas estrangeiras;
- Competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia;
- Competência digital;
- Aprender a aprender;
- Competências sociais e cívicas;
- Espírito de iniciativa e espírito empresarial;
- Sensibilidade e expressão culturais.



PROGRAMA DE APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA
A estrutura do PALV compreende 4 subprogramas sectoriais

a) O programa Comenius, que atende às necessidades de ensino e de aprendizagem de todos os participantes na educação pré-escolar e no ensino escolar até ao final do secundário, bem como dos estabelecimentos e organismos que oferecem essa educação e esse ensino;

b) O programa Erasmus, que atende às necessidades de ensino e aprendizagem de todos os participantes no ensino superior formal e na educação e formação profissionais de nível superior, independentemente da duração do curso ou da qualificação e incluindo os estudos de doutoramento, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação e formação;

c) O programa Leonardo da Vinci, que atende às necessidades de ensino e de aprendizagem de todos os participantes na educação e formação profissional, que não de nível superior, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação e formação;

d) O programa Grundtvig, que atende às necessidades de ensino e aprendizagem dos intervenientes em todas as formas de educação para adultos, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação

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