domingo, 26 de janeiro de 2020

TEMA IV

A AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS


A avaliação ao assumir o papel de corrigir, aperfeiçoar, revelar falhas apresenta-se como um instrumento ao serviço do progresso e, por isso, revela um forte protagonismo em todas as áreas, nomeadamente na da educação.
Tendo em conta a eterna problemática da avaliação das aprendizagens dos alunos e dos distintos padrões em que se baseia, esta discussão toma proporções cada vez maiores.
Nos dias de hoje, fala-se da avaliação dos sistemas educativos, projetos e programas, dos professores, dos estabelecimentos de ensino, e das pressões que esta conjuntura provoca em qualquer comunidade educativa. Quando se fala em avaliar a escola fala-se, também, em avaliar os alunos, os profissionais, a administração educacional, assim como, as medidas de política educativa. Apesar de Portugal estar colocado numa posição pouco avantajada relativamente aos outros países da Europa, no que se refere a esta novidade, este, igualmente, alberga a avaliação como um meio de servir a educação e o desenvolvimento económico do país.
A avaliação das escolas é o resultado da descentralização das políticas educativas e da passagem de responsabilidade dada à escola e principalmente à figura do professor. Os professores são agentes decisivos no processo ensino/aprendizagem, promovem a motivação dos alunos, ajudam a ultrapassar as dificuldades e orientam os discentes por forma a obterem sucesso nas suas aprendizagens, não devendo, portanto, serem postos de lado neste cenário. A avaliação é um percurso de melhoria por parte de cada ator envolvido. Tem como objetivo melhorar um serviço que está direcionado para o futuro, e proporcionar às escolas a oportunidade de ingressar num tipo de competição que lhe confere um selo de qualidade e ao mesmo tempo a sua distinção. O processo de avaliação dos sistemas educativos difunde-se nos restantes países da União Europeia, o qual depreende um estudo das reformas institucionais e dos procedimentos usados e as representações que alicerçam essas políticas ou modelos de avaliação e, desta forma, é possível definir três modelos distintos de avaliação: o inglês, o francês e o finlandês. No entanto, estes modelos de avaliação, não sendo os únicos modelos, são apenas exemplos, uma vez que os sistemas de educação são uma deliberação coletiva e democrática tendo sempre presente a missão de cada escola.
O Pisa (Programe for Internacional Student Assessment) é um programa internacional que avalia sistemas educacionais de sessenta e cinco países, incluindo o Brasil. Este programa pretende perceber, ao nível profissional e social, se os estudantes estão preparados para os desafios do futuro. Realiza-se de três em três anos, e as provas baseiam-se em três diferentes áreas, sendo a matemática, ciência e a leitura. O Pisa procura testar, para além do conhecimento escolar, a capacidade que os alunos têm para analisar, raciocinar e refletir sobre os seus conhecimentos e experiências pessoais. Desta forma, este programa, ao apresentar dados estatísticos concretos, 
Os diferentes sistemas educativos, só com base em programas desta natureza, que apresentam dados estatísticos concretos, podem justificar mudanças no sentido de melhorar as políticas educacionais, e preparar os jovens de hoje para a vida adulta de amanhã. Testar alunos não é uma novidade, porém o programa Pisa serve como forma de auxiliar os estudantes a colocar em prática os conhecimentos obtidos na escola, em que situações e problemas do dia-a-dia são resolvidos e ao mesmo tempo avalia-se a situação do país consigo mesmo assim como com os restantes países. A comparação dos resultados e os exemplos partilhados pelos diferentes sistemas educativos permite-nos podermos mudar ou avançar no sentido do aperfeiçoamento.








Avaliação dos sistemas Educativos nos países da União Europeia
 O estudo da avaliação dos sistemas educativos tem vindo a ser desenvolvido tendo em conta as políticas educativas europeias e nacionais, subjugada a diversos modelos de estudo. De entre estes, no cenário da União Europeia Roggero (2002) propõe três modelos de sistema de avaliação (típicos nas suas modalidades e inspirações) em matéria educativa: o inglêso francês e o finlandês.
Assim, de forma resumida Santos (2009) explica que quanto ao modelo de avaliação inglesa “externalizada mesmo privatizada” numa lógica de eficiência em que se encontra associada a uma regulação mercantil, “...um sistema educativo muito descentralizado no qual a concorrência entre estabelecimentos é encorajada pela livre escolha dos pais”, “A ‘cultura da avaliação’..., tudo é medido com base na conceção económica da regularização do mercado”.
A avaliação Interna e centralizada que prevalece em França restitui a primazia da escola Republicana no modelo de interesse geral. “A avaliação do sistema educativo se efetua no Ministério da Educação nacional...” no que respeita “...das inspeções e da administração da educação nacional: a primeira assegura a avaliação profissional dos professores e das formações e a segunda avalia os estabelecimentos escolares e o funcionamento administrativo do ministério. Essa avaliação é, sobretudo, de natureza qualitativa”.
No que concerne ao modelo de avaliação finlandês, tem-se em linha de conta os valores da comunidade educativa, o conhecimento de seus recursos próprios e as expectativas dos atores exteriores à escola. Os estabelecimentos gozam de uma forte autonomia que é acompanhada pela avaliação externa. Além disso, é integrado um conjunto de indicadores que diz respeito à eficácia funcional do estabelecimento, à sua responsabilidade financeira e aos resultados escolares e culturais obtidos. As formas de autoavaliação dos estabelecimentos são também usadas no quadro das avaliações externas realizadas tanto pelas coletividades regionais e locais quanto pelas autoridades nacionais.
 É pertinente referir que de acordo com Roggero (2002) cada sociedade tem o seu sistema educativo, esboçado para responder á sociedade onde está inserido, assim sendo, esses três modelos não representam a totalidade dos sistemas de Avaliação na UE. No entanto, as políticas de avaliação na União Europeia deixam perpassar indícios da presença de todos eles sendo de destacar o modelo finlandês apresentado “[…], uma vez que defende a apresentação de um conjunto de indicadores relativos à eficácia dos estabelecimentos, responsabilidade financeira e os resultados escolares e culturais obtidos e, ainda, o modelo Inglês pelo destaque que dá a uma cultura de avaliação em que tudo é medido com base na regularização feita pelo mercado” (Santos, 2009, p.66).

Por fim, a regulação e a avaliação dos sistemas educativos, têm um papel de grande importância para a melhoria da qualidade da educação. A eficácia desses parece resultar da escolha de uma comunidade educativa mais democrática e de uma cultura colaborava (aberta, dinâmica e flexível) entre os intervenientes segundo as diretrizes das políticas Europeias. Segundo Castro um dos percursos para atingir esses objetivos "passa pela otimização dos recursos e pelo desenvolvimento de uma comunidade educativa, assertiva, atual assente numa mobilidade de conhecimentos e saberes fazer que reforçam a cooperação europeia numa aprendizagem ao longo da vida e num sistema de empregabilidade coeso flexível e dinâmico" (2012, n.p.).


Referências Bibliográficas


Roggero, Pascal. Avaliação dos sistemas educativos nos países da União Europeia: de uma necessidade problemática a uma prática complexa desejável Eccos Revista Científica, vol. 4, núm. 2, dezembro, 2002, pp. 31-46. Universidade Nove de Julho. São Paulo, Brasil. (disponível nos recursos da u.c.)
Santos, T.(2009). A Avaliação Interna e as suas Implicações na Configuração da Escola como Organização: um estudo de caso. Facultade de Ciências da Educación Departamento de Didáctica, Organización escolar e Métodos de Investigación. Disponível
TEMA IV

A REGULAÇÃO E AS LINHAS MESTRAS DE AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS

conceito de regulação assume diferentes definições tendo em conta as finalidades a que se destina, traduzidas sob a forma de regras e normas previamente definidas.
De acordo com a Wikipédia, “Em sentido geral, regulação é o conjunto de técnicas ou ações que, ao serem aplicadas a um processo, dispositivo, máquina, organização ou sistema, permitem alcançar a estabilidade de, ou a conformidade continuada a um comportamento previamente definido e almejado.
No âmbito educativo, Delvaux (2001, citado por Almeida, 2005, p. 3) salienta que “a regulação é muito simplesmente aquilo que permite ao sistema funcionar e se transformar”. Nesta linha de pensamento, Diebolt (2001, p. 5, citado por Almeida, ibidem) sustenta que a regulação “(…) permite compreender como e porquê um conjunto de elementos, de ações ou indivíduos se organizam no seio de uma entidade global com fim de prosseguir uma certa finalidade.
Ora, numa União Europeia onde se promove a coesão social, o direito à educação para todos e o desenvolvimento económico apoiados numa sociedade do conhecimento onde as transformações sociais surgem muito rapidamente, surge a necessidade de uma regulação das políticas educativas para serem implementadas nos diferentes Estados.
Esta regulação tem como objetivo assegurar o equilíbrio, a coerência e a transformação do sistema, reajustando as ações dos indivíduos em função das normas definidas. Neste âmbito, na ótica de Barroso (2005), o conceito de regulação num âmbito geral é entendido “[…] como uma função essencial para a manutenção do equilíbrio de qualquer sistema (físico ou social) e está associada aos processos de retroação (positiva ou negativa). É ela que permite ao sistema, através dos seus órgãos reguladores, identificar as perturbações, analisar e tratar as informações relativas a um estado de desequilíbrio e transmitir um conjunto de ordens coerentes a um ou vários dos seus órgãos executores” (p.728), assim, o processo de regulação é um processo dinâmico, não unilateral. Ainda segundo o mesmo autor, no campo educativo o termo regulação é tido como uma conjunção de mecanismos que procuram legitimar outro estatuto à intervenção do Estado na condução das políticas públicas. Essas visam essencialmente mudanças e inovações educacionais, de forma a conceder mais qualidade e eficácia no processo de ensino aprendizagem.
 Segundo Barroso (2005) alguns exemplos que são mencionados relativamente ao novo papel regulador do estado têm como finalidade contrastar as práticas burocráticas tradicionais pertinentes ao Estado com as novas propostas de modernização da administração pública. Nesse seguimento Acioli (2007) explica que o estado passa agora a cobrar os resultados do processo educacional, adotando um novo papel “[..] o do Estado regulador e avaliador que define as grandes orientações e os alvos a atingir, ao mesmo tempo em que monta um sistema de monitoramento e de avaliação para saber se os resultados desejados foram, ou não, alcançados” (Acioli, 2007, p. 29).

Tendo em vista que o sistema educativo é um sistema social complexo, Barroso (2005) salienta que é preciso considerar as variações que o termo "regulação" sofre conforme os contextos linguísticos e administrativos dominantes. Desta feita deve-se considerar "uma pluralidade de fontes, de finalidades e modalidades de regulação em função da diversidade dos atores envolvidos, das suas posições, dos seus interesses e estratégias" (Barroso, 2005, p.371).



Referências Bibliográficas
Barroso, J.(2005). Políticas Educativas e Organização Escolar. Lisboa. Universidade Aberta. Barroso, J.(2005).O Estado e a regulação das políticas públicas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 92, p. 725-751, Especial –Out.2005. Disponível em <http:www.cedes.unicamp.br (disponível nos recursos da u.c.) 
Ramos, Conceição (s/data). Regulação dos Sistemas Educativos – O caso Português. (disponível nos recursos da u.c.)
Acioli, M.F.C.L. Cursos Tecnológicos: emergência de uma Nova Regulação. 2007, 225p. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2007.
Barroso, J. (2005). Políticas Educativas e organização Escolar - Temas Universitários. Lisboa: Universidade Aberta.
Barroso, J. (2005). O Estado, a Educação e a regulação das políticas públicas. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 92, p. 725-751. (disponível nos recursos da u.c.)

domingo, 22 de dezembro de 2019


TEMA III

OS SITEMAS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PARA A EUROPA DO CONHECIMENTO

Viver é aprender sempre, independentemente do local onde se realiza a aprendizagem, na escola ou nos caminhos da vida. Não deveríamos pôr o saber de lado, nem voltar as costas à vontade de conhecer, que todos temos. Mas para isso é preciso ter coragem de mudar.
O Conselho Nacional de Educação (1996) define o conceito de Aprendizagem ao longo da vida como,
 "(...) englobando o desenvolvimento individual e social do ser humano sob todas as formas e em todos os contextos, tanto formais - na escola e nos estabelecimentos de ensino profissional, terciário e para adultos - como não formais - em casa, no trabalho e na comunidade. Trate-se de uma abordagem sistémica, centrada nos níveis de conhecimento e competências a adquirir por cada um, independentemente da sua idade".
Devemos, portanto, dar importância ao conceito: Aprender ao Longo da Vida… A educação não se resume apenas pelos primeiros anos de vida. A educação ao longo da vida é uma realidade, não apenas confinada à educação formal, mas também presente na educação não-formal e informal. A ideia de que todos os contextos da vida adulta, pessoal, social e profissional contribuem para desenvolvimento integral do ser humano, é muito importante.
Atualmente, assistimos a mudanças muito rápidas em vários sectores, principalmente ao nível das tecnologias, fazendo com que os indivíduos se deparem com uma grande diversidade de novos problemas e de novas complexidades que exigem, a jovens e adultos, novos saberes e novas competências para se adaptarem constantemente a este mundo. As exigências que a sociedade nos impõe devem ser vistas como desafiantes e motivadoras, para que possamos cultivar o nosso espírito crítico e a nossa capacidade de análise reflexiva de forma permanente.
Vivemos num mundo onde as pessoas devem ter habilidades para entender, interpretar e processar informações diferentes. Por isso, é essencial reconhecer e valorizar todas as formas de aprendizagem. A Aprendizagem ao Longo da Vida beneficia indivíduos, comunidades e a economia do país. Fornece aos indivíduos o conhecimento, habilidades, valores, atitudes e compreensão que eles precisam na vida como cidadãos e trabalhadores, para tornar as comunidades mais produtivas e inovadoras, tendo em conta que a economia e a sociedade baseiam-se no conhecimento e numa atualização constante no local de trabalho. Assim, as pessoas que realizam a aprendizagem ao longo da vida, desenvolvem novas habilidades e preparam-se para novos desafios, lidando melhor com as exigências de mudanças no local de trabalho.
A sociedade de aprendizagem é a visão de uma sociedade onde existem oportunidades reconhecidas de aprendizagem para todas as pessoas, onde quer que estejam e por mais velhas que sejam (Green, A., 2002). O ritmo crescente das mudanças tecnológicas na economia do conhecimento, significa que precisamos de uma força de trabalho flexível e adaptável que esteja pronta para requalificar e reconverter para acompanhar as necessidades de competências da economia. A aprendizagem ao longo da vida permite que as pessoas participem activamente na sociedade (Dunn, E., 2003).
A aprendizagem ao longo da vida consiste em proporcionar segundas oportunidades para actualizar as competências básicas e também oferecer oportunidades de aprendizagem a níveis mais avançados (Comissão Europeia, 2007).
A aprendizagem ao longo da vida significa que, se uma pessoa tem vontade de aprender, ela poderá fazê-lo, independentemente de onde e quando isso ocorre. Para tal, é necessário que a pessoa tenha vontade de aprender, que existam ambientes de aprendizagens (centros, escolas, empresas, etc.) adequadamente organizados e que haja pessoas que possam auxiliar o aprendiz no processo de aprender (agentes de aprendizagem), para além de que esta aprendizagem deve ir ao encontro das necessidades do mercado de trabalho.
A aprendizagem que acontece na escola e durante a vida profissional deveria ser uma extensão da aprendizagem que se dá na infância ou na terceira idade. As pessoas deveriam ter meios para continuar a aprender, interagindo com o mundo e recebendo ajuda dos agentes de aprendizagem.
No século XXI, todos nós precisamos de ser aprendizes ao longo da vida. O nosso mundo está a mudar à nossa volta a um ritmo tão frenético que, se não continuarmos a crescer e a desenvolver, em breve seremos deixados para trás.


COMPETÊNCIAS


O quadro de referância definido pelo Conselho e o Parlamento europeu no final de 2006 estabelece oito competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida, competências cruciais para todos os cidadãos que necessitam para a sua realização pessoal, a inclusão social, desenvolvimento e emprego na sociedade no conhecimento:

- Comunicação na língua materna;
- Comunicação em línguas estrangeiras;
- Competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia;
- Competência digital;
- Aprender a aprender;
- Competências sociais e cívicas;
- Espírito de iniciativa e espírito empresarial;
- Sensibilidade e expressão culturais.



PROGRAMA DE APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA
A estrutura do PALV compreende 4 subprogramas sectoriais

a) O programa Comenius, que atende às necessidades de ensino e de aprendizagem de todos os participantes na educação pré-escolar e no ensino escolar até ao final do secundário, bem como dos estabelecimentos e organismos que oferecem essa educação e esse ensino;

b) O programa Erasmus, que atende às necessidades de ensino e aprendizagem de todos os participantes no ensino superior formal e na educação e formação profissionais de nível superior, independentemente da duração do curso ou da qualificação e incluindo os estudos de doutoramento, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação e formação;

c) O programa Leonardo da Vinci, que atende às necessidades de ensino e de aprendizagem de todos os participantes na educação e formação profissional, que não de nível superior, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação e formação;

d) O programa Grundtvig, que atende às necessidades de ensino e aprendizagem dos intervenientes em todas as formas de educação para adultos, bem como às necessidades dos estabelecimentos e organizações que oferecem ou promovem essa educação

terça-feira, 26 de novembro de 2019

TEMA II

MODELOS E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS NOS SISTEMAS EDUCATIVOS

Quando se reflete sobre educação e sistemas educativos, os temas tornam-se complexos pela diversidade e interligações dos diferentes domínios: sociais, políticos, económicos, científico, ético e outros que implicitamente estejam relacionados com estes sistemas. Porém, não podemos ignorar a necessidade de refletir sobre estas questões pela pertinência e pela necessidade de adequar os sistemas de ensino às atuais realidades que as sociedades manifestam, sejam elas mais ou menos desenvolvidas. A educação, encarada de forma estruturada, exige processos de aplicação, regulamentação e de resposta às exigências sociais e ainda, na preparação de cidadãos responsáveis, participativos e produtivos. Assim, o sistema educativo de um país é o meio pelo qual os cidadãos são preparados para os desafios da sociedade, de modo a estarem aptos no sentido de enfrentarem as mudanças que ocorrem de forma continuamente.


No filme de Alvin e Heidi Toffler, estes defendem a substituição do sistema de ensino público na maior parte dos países, pois entendem que o sistema de ensino atual está ultrapassado, tendo em conta que continua a preparar as pessoas para ontem e não para amanhã. Segundo estes, o sistema educativo está direcionado no sentido de preparar as crianças para o trabalho numa fábrica em que estas devem cumprir horários rígidos e repetir sempre a mesma tarefa. No entanto, o século XXI, período de grandes mudanças e viragens, tem-se verificado que muitas pessoas já trabalham em casa com horários flexíveis. Há uma mudança de estilos de vida, de emprego e exigências sociais.
Alvin e Heidi Toffler sabem que, havendo a necessidade da substituição do sistema de ensino, a mudança será difícil e arriscada, uma vez que existem muitas pessoas a trabalhar nas escolas que podem perder os seus empregos.



Neste filme, Ken Robinson fala-nos da necessidade de mudar o paradigma da Educação o qual se baseia em pressupostos desatualizados. Todos os países do mundo estão, atualmente, a tentar fazer reformas nos seus sistemas de ensino e de uma forma geral o autor apresenta-nos algumas linhas da evolução histórica deste sistema. Refere, ainda, que a escola estava direcionada para preparar os alunos para uma vida de trabalho semelhante às fábricas de produção. Até os edifícios escolares assemelhavam-se às fábricas: os toques das campainhas que obrigavam os alunos a estarem à mesma hora na sala de aula, espaços separados por salas onde se lecionam disciplinas diferentes, onde as aprendizagens são feitas distintamente umas das outras. Apesar de hoje em dia haver uma tentativa de conjugar os conhecimentos de várias disciplinas através de projetos de flexibilidade, mas que, em muitas escolas, esses projetos continuam a ser trabalhados de forma separada por essas disciplinas. Com o aparecimento e o desenvolvimento das novas tecnologias os alunos mostram-se mais interessados por estas do que pela escola, uma vez que estas são mais estimulantes e, tornam os alunos menos concentrados e mais individualistas, não estando preparados para a exigência de uma globalização. Aponta, também, que o uso de medicação excessiva para resolver o problema da falta de atenção, torna, também, os alunos menos ativos e menos eles próprios.
É, também, dada relevância às Artes e Humanidades uma vez que estas áreas ajudam no aperfeiçoamento do desenvolvimento humano e na inteligência emocional dos indivíduos. 
Assim, no filme, "Mudança de Paradigmas" o autor sugere que se deveria definir os sistemas educativos numa estratégia pedagógica do pensamento divergente como caminho necessário para se alcançar a criatividade nas escolas (capacidade para se encontrar várias respostas para um único problema), e na necessidade de encontrar um novo paradigma global para se ultrapassar estas dificuldades.

domingo, 10 de novembro de 2019

Tema I
MUTAÇÕES SOCIAIS E SISTEMAS EDUCATIVOS
ATIVIDADE - Análise dos textos


Esta atividade tinha como objetivo referir as principais tendências evolutivas das sociedades contemporâneas e ao modo com interpelam a Educação e os Sistemas Educativos, com base na leitura e análise dos documentos disponibilizados assim como no debate de ideias realizado no fórum.



Desde sempre que a sociedade vive em constante mutação no sentido de uma evolução, e como a educação se insere num contexto social, por consequência esta também sofre com essas mudanças implicando que tenha que se adaptar a esse progresso.
Atualmente o repto colocado aos sistemas educativos para o futuro é o de caminhar no sentido de favorecer a imaginação, a criatividade, a comunicação, o trabalho em equipa, entre outros aspetos que são descuidados em detrimento de um conhecimento abstrato. Assim, um dos desafios colocados à Educação nos dias de hoje é conseguir utilizar a diversidade de valores e experiências para um conhecimento mais enriquecedor. O progresso da sociedade sempre dependeu da educação e do conhecimento, e, neste momento, por causa das novas tecnologias, temos uma sociedade abundante em informação que tem potencialidade em gerar conhecimento. Neste sentido, novas formas de criar, produzir e gerir informação têm surgido, como também, novas fontes de conhecimento. Portanto, a maneira de ensinar e aprender, hoje em dia, precisam de mudar. A educação e a tecnologia devem-se complementar para que essa mudança resulte.

Segundo Ramos (2007): “os sistemas educativos terão de ser flexíveis, ter capacidade de adaptação à mudança constante, sendo produtivos e capazes de utilizar, na sua máxima extensão, todas as possibilidades conferidas pelas novas tecnologias da informação e da comunicação”. Como refere Delors (2005), é necessário caminhar para uma “Sociedade Educativa”, capaz de dotar o indivíduo de uma educação básica de qualidade, com conhecimentos que lhe permitam modelar a sua vida e participar na evolução da sociedade”
É preciso que os educadores/professores estejam dispostos a uma abertura para as novas tecnologias e as utilizem nas suas práticas letivas. Apesar de se notar haver ainda uma relutância na utilização dessas novas tecnologias por parte dos docentes, já há muitos professores que fazem uso delas nas suas salas de aulas. Saliente-se que existem, ainda, algumas dificuldades em implementar essas tecnologias, derivado à falta de equipamentos adequados e atualizados, à velocidade lenta de uma internet necessária para apresentação de documentos e/ou informações relevantes, e, também, à falta de formação dos professores no sentido de estes saberem como tirar melhor partido destas ferramentas (talvez um apoio mais dedicado das editoras). 
Parece-nos, também, que esta nova sociedade tecnológica esquece-se de que a informação a que tem acesso, com uma certa facilidade, deve ser selecionada e transformada de modo a que a mesma se torne em conhecimento/pensamento.
Estas mudanças constantes que surgem a todos os níveis implicam a existência de prós e contras, obrigando a que estejamos preparados para essas situações. A escola como hoje a conhecemos tem de se atualizar no sentido de responder às novas solicitações que são geradas pelas evoluções tecnológicas, uma vez que estas colocam constantemente novos desafios ao sistema educativo e a todos que nele intervêm. É importante desenvolver modelos educativos que promovam nos alunos a capacidade de pensar, de construir o seu próprio conhecimento e contribuir para o desenvolvimento da sua autonomia. Nesta ótica, a função do professor é importante no sentido de criar espaços para que se promova as trocas de informação e debates coletivos para um enriquecimento mútuo. Deve-se ter em conta a capacidade individual do aluno, que este desenvolva os seus próprios pensamentos obrigando-os a estarem atualizados e informados. Ao atribuir ao aluno um papel diferente, mais interventivo e com capacidade de gerar conhecimentos através da informação que ele próprio já tem, sendo orientado e motivado pelo professor, irá traduzir-se numa experiência de uma melhor aprendizagem  e sociabilização.

Concordo com a perspetiva de Moran (1995) quando refere que: “As tecnologias de comunicação não mudam necessariamente a relação pedagógica. As tecnologias tanto servem para reforçar uma visão conservadora, individualista como uma visão progressista. A pessoa autoritária utilizará o computador para reforçar ainda mais o seu controle sobre os outros. Por outro lado, uma mente aberta, interativa, participativa encontrará nas tecnologias ferramentas maravilhosas de ampliar a interação”.

TEMA IV A AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS A avaliação ao assumir o papel de corrigir, aperfeiçoar, revelar falhas apresenta-se co...